Resumo
Este artigo procura, a partir de uma análise multidisciplinar, problematizar os sentidos da descolonização a partir do estudo da produção de conhecimento em Moçambique, à luz das epistemologias do Sul, conceito avançado por Boaventura de Sousa Santos. O texto problematiza a dimensão epistêmica do colonialismo moderno, mostrando como a imagem predominante do continente africano, parte do Sul global, é ainda reflexo de representações forjadas no centro de um saber de matriz eurocêntrica, que reforçam a permanência das perspectivas do Norte sobre o Sul. Como o artigo discute, descolonizar o conhecimento passa por uma revisão crítica de conceitos centrais, como o espaço e o tempo, hegemonicamente definidos pela racionalidade moderna – estrutura de saber que legitima a expansão do projeto civilizacional moderno ocidental no mundo. No campo ontológico, a descolonização passa pela renegociação das definições do ser e dos seus sentidos, aliando a democratização à descolonização. Esse desafio cognitivo contesta o privilégio epistêmico do Norte global, abrindo o mundo a outros saberes, narrativas e lutas, contadas a múltiplas vozes.
Palavras-chave: África; descolonização; democratização da história; epistemologias do Sul; diálogos interculturais.
Conteúdo Original por Revista Opisis v. 16 n. 1 (2016)