A fronteira interior é como uma alteridade que não se verga à narrativa nacionalista viril, violenta e totalitária. É a partir deste argumento que analiso Maria’s Grotto, um filme de 2007, da autoria da realizadora palestiniana Buthina Khoury sobre os crimes de honra na palestina de hoje. É uma obra onde três narrativas se conjugam e se repelem em vários momentos para que, nesse processo de aproximação e de exasperação mútua, o argumento se vá produzindo pelas imagens, vozes e silêncios do documentário. Ouço e vejo três narrativas que transcorrem pelo tempo e tomam forma através dos espaços e dos tempos onde as quatro estórias sobre aquelas quatro mulheres palestinianas são contadas. Neste ensaio procuro ouvir as vozes, mas também ver os rostos, os lugares e os gestos com que estas mulheres interrompem o insuportável ruído de fundo sobre as mulheres assassinadas na palestina por serem acusadas de desonrar as suas famílias. Não é meu objectivo principal teorizar sobre este filme mas, sim reflectir sobre ele e com ele, tendo como pano de fundo uma abordagem feminista pós-colonial.
Palavras-chave: Fronteira Interior. Feminismos Pós-coloniais. Nacionalismo Palestiniano.
Conteúdo Original por Revista Ñanduty, 7, 11, 167-189